Livro: Extraordinário.
Título Original: Wonder.
Autora: R. J. Palácio
Número de páginas: 320.
Editora: Intrínseca – Ano de lançamento: 2013.
Sinopse:
"August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros."
Sabe quando você vê um livro pela primeira vez e se apaixona pela capa? Bom, foi assim que começou a minha relação com o livro "Extraordinário" de R.J. Palácio. Foi em uma das minhas "garimpagens literárias" que eu me deparei com este livro pela primeira vez e de cara já me afeiçoei completamente pela capa, simples e intrigante ao mesmo tempo. A parte externa de um livro nem sempre é tudo, as aparências muitas vezes enganam. Porém após ler apenas a sinopse do livro, posso garantir que este não é o caso.
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| “Não julgue um livro menino pela capa cara”. |
Em "Extraordinário" nos deparamos com a história de August Pullman, um garoto que possui algo que o difere da maioria das pessoas, porém isso não faz com que ele deixe de ser completamente adorável. A deficiência de Auggie, como o personagem é chamado carinhosamente pelos mais próximos, uma doença rara desenvolvida enquanto ele ainda estava no útero de sua mãe, trata-se de uma síndrome genética que lhe causou uma grave deformidade no rosto e que após o nascimento fez com que ele fosse submetido a diversas cirurgias para correções necessárias, não tão equivalentes a melhoria de sua aparência, mas para a sua própria saúde e sobrevivência e também com que ele vivesse em constantes cuidados médicos. Essa deformidade faz com que muitos se afastem dele por medo, preconceito ou repulsa sem fundamento. Auggie com toda a certeza se sente mal com isso, mas com o apoio incondicional dos pais, da irmã e de futuros amigos - como é o caso de Summer e Jack - que August encontrará ao decorrer da vida - e que se mostrarão muito importantes - o nosso protagonista fará com que admiremos a sua história de superação em relação às dificuldades de se viver em um mundo cheio de preconceitos.
“Médicos vieram de cidades distantes, só para me ver, parados ao lado da minha cama sem acreditar. Dizem que só posso ser uma das maravilhas da Criação, e até onde veem não conseguem explicar.”
Por conta de sua deformidade, August nunca havia ido a uma escola comum, o seu aprendizado era realizado em casa, pela mãe, que lhe dava aulas periodicamente, mas isso iria mudar. Após muito discutir, os pais de August decidiram que seria importante para o filho ter algumas experiências extras durante a vida e sabiam que ele deveria frequentar a escola para isso.
De inicio Auggie rejeita completamente a chance de poder ir à escola, pois ele está confortável com a vida que leva e sabe que não será fácil lidar com o que virá pela frente ao entrar em um colégio, onde ele terá que se relacionar com outras crianças. August Pullman terá que provar a todos que apesar da aparência diferente, ele é uma criança como todas as outras, que possui sonhos, desejos e aspirações.
Comecei esse livro durante o trajeto de trem em uma viagem num final de semana há alguns meses, costumo carregar livros para todos os lados e assim que o comprei o escolhi para tal feito. Devorei cada pedacinho deste livro - muitas vezes com lágrimas nos olhos - e me apaixonei por essa história linda, simples e perfeita, que te faz refletir sobre a vida.
“Nós não precisamos de olhos para amar, certo? Apenas sentimos dentro de nós”.
R.J. Palácio narra este livro em 1ª pessoa, mas o interessante é que esta narração não se concentra apenas em August, ela é intercalada ao decorrer do livro pelo ponto de vista de Auggie e outros personagens que também tem uma importância considerável na história. Cada um deles acrescenta mais conteúdo ao livro, deixa a narrativa mais dinâmica, de forma nenhuma cansativa ou entediante e faz com que você se apaixone, não apenas por August, o protagonista, mas também por cada um de seus coadjuvantes e suas histórias paralelas. O leitor inclusive se renderá e cairá de amores por Daisy, a cachorra da família Pullman que trás grandes alegrias a Auggie e que protagonizará alguns momentos de grande emoção na narrativa.
“Puxei as cobertas até as orelhas e imaginei a Daisy se aninhando junto a mim, sua língua grande e molhada lambendo meu rosto inteiro, como se fosse seu rosto favorito em todo o mundo.”
Este livro contém uma escrita simples, porém concisa e que te mantém cativado a cada palavra transcrita. Para pessoas que se emocionam facilmente como eu, ele é uma porta aberta para um mundo de lágrimas tanto de tristeza, pela reflexão do tema da história que se baseia em fatos que realmente acontecem em nossa realidade, como a busca exagerada por uma perfeição pré-conceituada, que acaba fazendo com que muitos ajam de maneira cruel diante daqueles que são diferentes. Como também de alegria pelo modo positivo e inspirador com que August encara a vida, apesar de todos os problemas.
“Se cada pessoa nesse auditório tomar por regra que, onde quer que esteja, sempre que puder, será um pouco mais gentil que o necessário, o mundo realmente será um lugar melhor”.
“Extraordinário”, com toda a certeza, se tornou um dos meus livros favoritos, daqueles que eu irei reler diversas vezes e indicarei a todos que quiserem ler e refletir sobre o que é importante na vida diante de um tema tão comum em nosso dia-a-dia. Definitivamente também o indicarei aos meus futuros filhos para que aprendam sobre a importância de se enxergar além das aparências e de como o apoio e amor de familiares e amigos é crucial para que lutemos contra o que nos deixa infeliz.
“Minha mãe me abraçou mais apertado, se inclinou e deu um beijo no alto da minha cabeça. - Eu que agradeço, Auggie - respondeu ela. - Pelo quê? - Por tudo o que nos deu. Por entrar nas nossas vidas. Por ser você. Inclinou-se de novo e sussurrou em meu ouvido: - Você é mesmo extraordinário, Auggie. Você é extraordinário.”
Os pais de Auggie na maioria das vezes agem de forma super protetora mas não de uma maneira ruim e sufocante, assim como Via, a irmã mais velha. Apesar de estar na adolescência e muitas vezes ser deixada de lado pelos pais que se preocupam extremamente com a saúde do irmão mais novo, Via não é caracterizada pelo estereótipo de garota rebelde, mesmo tendo uma personalidade forte. Ela tem sim fraquezas em relação ao irmão algumas vezes, mas nem por isso deixa de amá-lo e defendê-lo contra tudo e todos. O namorado de Via, Justin, é um garoto com uma personalidade um tanto peculiar, mas também é adorável e protetor, tudo o que Via necessitava nessa fase da vida. Miranda, uma das melhores amigas de Via, apesar de ter se afastado de inicio por questões de status assim que as garotas ingressaram no colegial, também no fundo sempre sentiu um grande carinho fraternal por Auggie, assim como ele sente por ela e esse carinho fará com que ela caia em si e tente mudar as suas atuais atitudes.
Summer e Jack surgiram na vida do nosso protagonista assim que ele adentra a escola e passa a ter dificuldades enfrentando um grande problema, o bullying, praticado por grande parte das crianças da nova escola. Os dois, em meio a alguns pesares, serão o suporte de August no ambiente escolar.
E não podemos deixar de lado também a importância do professor de inglês de Auggie: Sr. Browne, que com os seus “preceitos” diários ensinou muito aos seus alunos. E também o diretor, Sr. Buzanfa, que acreditou em Auggie e em tudo o que ele seria capaz de realizar.
"Mamãe e papai também não me acham comum. Eles me acham extraordinário. Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu."
August é um personagem incrivelmente interessante. O leitor que conseguir abrir os olhos para a mensagem que o livro trás, não irá vê-lo de maneira pejorativa como um "pobre e coitado garoto deformado”, por Auggie ser na maioria das vezes tão otimista mesmo diante das dificuldades enfrentadas no momento em que ele decide se relacionar com o mundo, o que nos deixa completamente entusiasmado com o seu jeito. Mas como todo o ser humano, apesar de sempre agir de maneira positiva diante de sua doença, ele também sofre e faz questionamentos sobre a sua aparência em um momento da história, por isso todo o apoio e confiança que ele recebe dos pais e amigos fora de extrema importância para ele, como seria para qualquer pessoa.
“Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscara.”
Primeiro lugar da lista de best-sellers do The New York Times e eleito um dos melhores títulos YA de 2012 nos Estados Unidos, “Extraodinário” é exatamente como o título diz, um livro que te emociona, cativa e faz com que você se sinta especial a cada linha. Foi uma das leituras mais interessantes que fiz durante esse ano e
espero que aqueles se interessem pelo livro após ler esta resenha se sintam tão fascinados como eu.
“Esse preceito significa que deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis depois que eles morrem. Como as pirâmides que os egípcios construíram para homenagear os faraós. Só que, em vez de pedra, são feitas das lembranças que as pessoas têm de você.”